Como profissional de compliance, entendo que nossa responsabilidade vai além de apoiar o trabalho das auditorias com informações e ferramentas, precisamos questionar se o sistema de controles está realmente funcionando.
Compliance: levado a sério ou apenas no papel?
O próprio nome da operação que expôs as irregularidades do Banco Master, sugestivamente batizada de "Compliance Zero", já oferece uma pista sobre a resposta.
Questões objetivas foram ignoradas por tempo considerável: contratos milionários sem contraprestação evidente, ausência de aportes obrigatórios no Banco Central. Os sinais estavam lá. Os relatórios foram lidos? As recomendações foram implementadas?
E o investidor, onde fica?
A pergunta que ecoa no mercado é simples e direta: cadê meu dinheiro?
O Estado, frequentemente criticado por ineficiência, age e recebe críticas, vide a liquidação do Banco Master. Fogo amigo e fogo inimigo.
Enquanto isso, o investidor fica desamparado: os órgãos reguladores falham, e a "mão invisível do mercado" mostra-se insuficiente para protegê-lo.
Quem investiu na Americanas, Petrobras e Banco Master, amparado pelos pareceres favoráveis de auditores renomados, hoje cobra de quem? E os influenciadores contratados para questionar a atuação do Banco Central, poderiam ser responsabilizados por essa influência?
Prejuízo não é risco de negócio. É crime.
Investidores acima de R$ 250 mil aguardam a "desliquidação" para viabilizar a compra pelo BRB. Quem investiu menos busca apenas o FGC. Enquanto isso, o próprio BRB já solicitou à Moody's a retirada de suas avaliações. Quem estiver de pé, que se sente.
Nós, advogados especializados em investigação e repatriamento de capitais, já iniciamos as primeiras ações.
Agora resta saber: a Justiça estará ao lado dos justos ou dos grandes contratos?