O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou a seus mais próximos interlocutores que não pretende incluir na pauta da Casa a sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo governo Lula para uma das cadeiras do Supremo Tribunal Federal. A movimentação, de caráter político-institucional, ocorre em um momento de notória distensão nas relações entre o chefe do Executivo e o presidente da Casa legislativa, cujo diálogo direto estaria suspenso há semanas.
Planalto ciente do movimento contrário
Segundo apuração da CNN Brasil, o Palácio do Planalto já teria sido formalmente comunicado da resistência do Senado em pautar a indicação. Mais do que isso, o próprio governo teria optado por não formalizar a indicação de Messias, procedimento que até o momento não foi concluído. A ausência do ato formal de encaminhamento ao Senado denota uma postura calculada do Executivo diante do cenário adverso no âmbito parlamentar, onde a aprovação do indicado estaria longe de ser assegurada.
Votos insuficientes comprometem a aprovação
A aritmética parlamentar, conforme fontes consultadas, não favorece o nome de Messias. "A conta que chegou ao Planalto é de que, hoje, Messias não teria o número de votos suficientes para ser aprovado", revelou interlocutor próximo ao tema. O quadro adverso reflete não apenas a frieza nas relações entre Lula e Alcolumbre, mas também um ambiente político mais amplo de desconfiança institucional que permeia o Congresso Nacional neste início de ano eleitoral.
Lula considera adiar para após as eleições
Diante do impasse, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já trabalharia com a hipótese de postergar a formalização da indicação para depois do pleito eleitoral de 2026 ou, em cenário mais dilatado, para um eventual terceiro mandato, caso seja reeleito. A estratégia, que contempla o cálculo político de longo prazo, revela a sensibilidade do processo de composição do STF como variável de poder no jogo institucional brasileiro.
Tensão agravada pelo caso Lulinha no CPMI do INSS
O desgaste na relação entre Lula e Alcolumbre atingiu novo patamar nesta semana após o presidente do Senado manter, na terça-feira (3), a quebra de sigilo do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, aprovada pela CPMI do INSS. A decisão, que contrariou interesse direto do Palácio do Planalto, acirrou ainda mais o distanciamento político entre as duas lideranças e reforçou o entendimento de que a pauta do STF permanecerá bloqueada enquanto persistir o atual estado de ruptura entre os dois poderes.