O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu nesta terça-feira (3), no Salão Oval da Casa Branca, que a ofensiva militar conjunta entre os norte-americanos e Israel contra o Irã resultou na eliminação física das principais lideranças cogitadas para suceder o aiatolá Ali Khamenei, morto no último sábado. Em declaração à imprensa durante encontro com o chanceler alemão Friedrich Merz, Trump foi direto ao reconhecer o vácuo de poder instaurado no país persa: "A maioria das pessoas que tínhamos em mente já morreu. Agora temos outro grupo, que também pode estar morto, segundo relatos. Então, teremos uma terceira onda." O reconhecimento público do presidente norte-americano expõe, com rara transparência, o grau de profundidade com que a cadeia de sucessão do regime teocrático iraniano foi desarticulada.
Assembleia de Especialistas bombardeada em Qom
Paralelamente às declarações de Trump, os exércitos de Israel e dos Estados Unidos ampliaram a cobertura de seus ataques, desta vez mirando o edifício da Assembleia de Especialistas, órgão constitucional responsável pela eleição do líder supremo iraniano, situado na cidade sagrada de Qom. A estrutura, que abrigaria a reunião de 88 aiatolás de alto escalão para deliberar sobre a sucessão de Khamenei, foi declarada pelo exército israelense como "arrasada". A mídia estatal iraniana, por sua vez, negou a ocorrência de vítimas fatais entre os religiosos, embora não tenha apresentado confirmação oficial do estado dos membros da assembleia. A destruição de um órgão de tal envergadura configura, sob a perspectiva do direito internacional humanitário, um ataque direto à estrutura de governança de um Estado soberano.
Justificativa preventiva e a tese da legítima defesa antecipada
Trump buscou enquadrar juridicamente a decisão de lançar os bombardeios sob a doutrina da legítima defesa antecipada, invocando a ameaça iminente de um ataque iraniano como fundamento para a ação militar. "Eu ataquei porque achei que eles atacariam antes", declarou o presidente. Contudo, a afirmação encontrou resistência entre autoridades com acesso à inteligência norte-americana, que apontaram que Trump teria exagerado a iminência concreta da ameaça. A validade jurídica do uso preventivo da força no âmbito do direito internacional público segue sendo objeto de controvérsia doutrinária, especialmente quando ausente uma ameaça demonstrável e imediata capaz de justificar a antecipação do uso da força armada perante o Conselho de Segurança da ONU.
Terceira onda de ataques é anunciada como iminente
Trump sinalizou com clareza que a ofensiva está longe de encerrada. O presidente norte-americano anunciou que uma nova onda de ataques ocorrerá "em breve", envolvendo mísseis e drones, e declarou que as Forças Armadas dos EUA têm sistematicamente neutralizado os arsenais iranianos. "Praticamente tudo foi destruído no Irã", afirmou. O presidente acrescentou ainda que, diante da sucessiva eliminação de possíveis líderes, uma terceira onda de bombardeios poderá erradicar qualquer quadro remanescente que os Estados Unidos ainda tivessem identificado como potencial sucessor do regime, gerando uma situação de colapso institucional sem precedentes na história recente do Oriente Médio.
Contra-ataque iraniano ameaça rotas estratégicas globais
A reação do Irã não tardou. Desde segunda-feira (2), o regime iraniano intensificou operações com drones e mísseis contra alvos diplomáticos, militares e comerciais dos Estados Unidos e de seus aliados em toda a região do Golfo Pérsico. Os ataques atingiram infraestruturas de produção de gás e combustível e comprometeram o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz, corredor estratégico pelo qual transitam cerca de 20% da produção mundial de petróleo. A perturbação desse eixo de navegação internacional representa uma ameaça direta à ordem econômica global e ao equilíbrio geopolítico da região, com potencial para acionar mecanismos de resposta multilateral previstos no direito internacional das relações exteriores.